Poema de um colibri

Vivo do teu perfume de sândalo

um eterno frenesi,

assemelhando-me a um simplorio colibri,

buscando em todas as flores

uma antiga escência que perdi


Das orquideas as bromélias,

das mais diversas cores,

nenhum gineceo esqueci,

mas nem na mais rara camélia

achei aquilo que em ti atribuí

como a mais bela das belas;

a simples liberdade de ser formosa

sempre sem ninguem a te possuir


Na totalidade das acácias

estais além de qualquer pinhota,

mesmo representada só - e presunçosa -

tens qualidades que a mais fina petala desbota

no simples ouvir teu nome,

senhora de todas as rosas.


Flor

que o fino grão de pólen

todo beija-flor,

do alasca a terra do fogo,

sonha em usufruir;

insistes em teu jogo

onde só, parece,

em me provocar, persistir