Majestoso manicômio meu amor

Encontro-me cansado desta estrada meu bem, deste universo de falsas paredes acolchoadas, e preenchidas de vãos espetáculos açucarados. Não desejes mais de mim facundos romances, peço-te, pois de repente perderam-me o sentido. Querida, escrevo-te pois sei que esperas-me mais adiante, mas não tenho mais tanta certeza de que desejo perde-me em seu sinuoso caminho.


Mon Dieu, como me arrependo por não termos mais conversado, mas uma macilenta rotina nos separou ao decorrer deste ano, porem, mesmo assim, confesso que não sinto-te tão longe, encontro-te em esquinas, bares e pontos de ônibus, ouço seu breve nove nome surgir em conversas paralelas, e devo admitir que conservo dantescos ciúmes. Não vou dizer que não te amo mais, tanto porque, seria a mais cruel das mentiras, todavia, desejo-te crua e simplesmente como és.



Sabe meu amor, de nada mais me adianta esta alma calejada de doces ilusões, ou as felizes paisagens expressionista, conquistadas pela embriaguez, são somente saudosismos de um cinema em conserva, de uma literatura etérea, de uma promessa de pop-stars; então, deixe-me com minhas tétricas insônias febris, pretendo conquistar-te futuramente pelas pedras nas quais tropeçarei. Não faça de meu semblante uma triste figura, devido somente a estas depressivas palavras, é que para mim, faz tempo demais desde a última vez em que te vi. Sinceramente, Não sei mais como pudemos nos afastar tanto da fantasia, como podemos, estar tão longe dos trágicos romances, mas tão perto da libertinagem inconsciente.


Angustia-me, mas não temo por teu sumiço, sei que logo voltarás, seja em uma tarde de verão ou em uma madrugada embriagada. Não esperes que eu chore, nem que sorria, quando este próximo dia chegar. Encontro-me igualmente cru, e a culpa é exclusivamente sua. Por fim, entenda esta carta como a confissão de alguém que ficou insensível por amar demais, mas saiba que estais sempre comigo, em fragmentados momentos que seja, minha não tão longe, minha nunca morta, minha querida, Vida.