Será que vale a pena

Será que vale a pena?

todas as noite mal dormidas

ou tantas vezes que engolimos

a coisa toda mal cozida?

 

Será que vale a pena

as paixões mal sentidas?

ou quando conformados cobrimos

nossas vidas mal vividas?

 

Será que vale a pena?

tanta indiferença pela vida?

tanto drama de um momento?

tanta morte sofrida?!

tanto falso argumento

pela base da mais valia?

tanto coração em rebento

e todas as garrafas vazias?

 

será que vale a pena,

a morte aguardada

nas brancas camas de hospitais?

ou as tristes pílulas condensadas

com suas químicas fatais?

 

será que vale mesmo a pena

a flor que nasce na calçada?

ou os ninhos depostos

por mais uma chuvarada?

 

Será que vale a pena

cada nova partida?

cada nova magoa,

cada dor de suicida?

 

queria saber,

se vale a mentira sem razão;

se vale crer,

que não é tudo puramente em vão,

toda essa bobagem de poeta

que canto ao coração

daquele que 'abjeta'

o que não vale um tostão.

 

Será que vale a pena fazer sentir

a alma já aleijada,

por tantas vezes abolir

a afeição impregnada?

 

será que vale ser expressivo

para alcançar o peito,

de natural sedativo,

daquele que já se tem como perfeito?

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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