Saudades e Bisturis

De toda vez que se vai o coração, o sangue pulsa a fim de preencher de fluído o buraco vazio, como o inflar incessante de um balão furado. De toda vez em que se some algo quisto da vista, a mente traz em vultos e neblina a imagem querida, e ao fechar dos olhos, a natureza vivaz dos sentidos puros, ouriçados, em alerta ao toque que se saberá não ter; reaviva e fantasia.

 

Agridoce sensação, que à boca seca e saliva, que espuma, como o quebrar de ondas, as entranhas da barriga. No paladar, a falta doce e o amargo querer, degustando cada segundo do inalcançável, pela medula a percorrer.

 

Saudosa saudade, diria o falso poeta, ai de mim sempre te ter, pois é preciso alimentar de boas e más lembranças, o lírico e poético sofrer. Que me marque a carne, como a cada novo corte de bisturi, que me corte profundo cada sentido no âmago que se remói por ti, já que sem você, oh nostalgia, creio não poder mais sentir.

 

Deixai invadir a saudade, de três milhas ou três passos, ou três idades nas vidas a sumir; das paixões e dos dogmas, com a maturidade a lhes diluir. Que me perfurem os fados, não só de minha boca, mas de outras sôfregas, que aos meus ouvidos venham a reagir. Que pulse o rubro da saudade, para me fazer acreditar que ainda estou por aqui.

 

 

 

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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