Putas de papel

Chamam-me de mentiroso, na maioria das vezes: vagabundo. Fazem de mim um viciado além do que sou, doses cavalares de fantasias e anedotas são injetadas em meu espirito altamente mutável. Sou uma pílula para os desesperados, a fuga dos cartesianos, uma promessa de amor de amor a cada esquina, verdadeiras prostitutas de papel, vendendo amor instantâneo, amor reciclável, descartável!

 

Somos do peito, o doce e o amargo, o asco e o gozo; palhaços do asfalto em busca, ao invés de trocados, de misero suspiro; fragmentados, perdidos em bolsas e mochilas, empoeirados nas estantes, esquecidos nas coxias. Trabalhamos pela felicidade alheia, deixamos que experimentem de suas piores fantasias, vendidos a esmo, somos a esperança de uma diferente vida. Somos eternos julgadores, observando do alto de nossas prateleiras, não desejo que me ames, somente que me leias!

 

Estamos nas vitrinas, vestidos com nossas melhores roupas, meretrizes encapuzadas, de rosto encoberto pelo verso, esperando que nos paguem para lhes mostrar, em cada poema, em cada história, em cada conto, em cada foda; do que somos capazes. Damos o deleite que nos esperam, enquanto escondemos nossas almas por entre as linhas, nós escritores, somos como putas, ou garotos de aluguel, na corrida para saber, se alguém irá nos comprar.

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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