Poema de um colibri

Vivo do teu perfume de sândalo

um eterno frenesi,

assemelhando-me a um simplorio colibri,

buscando em todas as flores

uma antiga escência que perdi

 

Das orquideas as bromélias,

das mais diversas cores,

nenhum gineceo esqueci,

mas nem na mais rara camélia

achei aquilo que em ti atribuí

como a mais bela das belas;

a simples liberdade de ser formosa

sempre sem ninguem a te possuir

 

Na totalidade das acácias

estais além de qualquer pinhota,

mesmo representada só - e presunçosa -

tens qualidades que a mais fina petala desbota

no simples ouvir teu nome,

senhora de todas as rosas.

 

Flor

que o fino grão de pólen

todo beija-flor,

do alasca a terra do fogo,

sonha em usufruir;

insistes em teu jogo

onde só, parece,

em me provocar, persistir

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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