O gênese do verbo amar

No princípio era o verbo, e o verbo me soava esquisito. Brecava-me entre os dentes, apesar senti-lo, de hálito quente, ao pé de meu ouvido. Na característica dos trava-línguas, era sentenciado a engasgar, em toda vez que o sentia subindo, tentava mas não podia alcançar um sincero verbo intrasitivo.

 

Todas as coisas foram feita por meio dele - as artes e os livros - nos invadindo as orelhas, como singelo e conspícuo, aparecendo tão inocente nos filmes, banalizando o pulsar cardíaco. O gênese do primeiro verbo, usado a esmo, dissecado em melodramas e idílios, mentindo a realidade do vocábulo, edificando uma versão postiça do verbo divino.

 

Na conjugação de dois peitos, fácil pronunciar a graça do particípio, ou o elucidadivo pretérito imperfeito, deficiente por existir somente no já ocorrido; difícil é soltar um eu te amo, sem a artificialidade que estão acostumados nossos ouvidos. Não falar só pela boca, mas deixar o verbo exalar pelo corpo que já o tenha acometido

 

Amar, palavra estrangeira, que a minha boca soa construída, sutil manejar de lingua, que no degredo do poeta, sempre acompanha a rima. Verbo egoista que comporta na frase um sujeito só; artificial nas horas em que precisa ser dita, muda, entalada na garganta, quando quer ser expelida.

 

Sutil vilania, da língua que esconde a palavra querida, carcere da boca, que não cospe o que desejaria. Meu Deus, como é difícil amar sem um exclusivo verbo que se defina.

 

 

 

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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