Missa de 7º dia

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

 

Desejaria agradecer, como assim me foi pedido, a tantos que há pouco ajudaram, mas não sei se só com o verbo me faria por entendido. Gostaria agora de um novo dicionário, que me explicasse dos sentimentos a genealogia, que me ajudasse a construir palavras de alívio, que desse aos outros mais que frases bonitas.

 

Mas sou só um escritor, não tenho a força que no silêncio está contida. A mudez da lembrança, ou de um olhar nela perdida. O abraço calado, a lágrima que escorre tímida; um quieto afago, ou a simplória presença, que por estar ao lado tranquiliza. Não desejo enaltecer a dor, que a falta traz à vida, mas lembrar do refúgio, dentro de cada um que continua a vida.

 

Queria, aos amigos órfãos, reviver aquela lembrança esquecida, e às almas carentes, trazer a risada que na memória está retida. Mas é muito difícil, com palavras, resumir uma vida, só posso pedir então que assim se lembrem: com profunda alegria.

 

Que a fé nos sonhos venha a colorir, as tardes mornas de nostalgia, e que as conversas e conselhos trocados, não sejam na rotina esquecidas. Que nesse palco sem roteiro, no qual se apresenta a vida, não esqueçam de seus personagens, que agora vivem nas coxias. Pois ninguém se ausenta de verdade, de uma memória por nós protegida. O que nos separa desse espetáculo, é somente uma cortina.

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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