Castelos de Areia

Na melancolia de teu olhos

vejo praias não desbravadas

sobre a margem de tuas olheiras,

de insólita tristeza, cavadas.

 

Vejo, as segundas-feiras

teu despertar luzeiro,

o luar nascente, fronteiro,

de suas órbitas cansadas.

 

No mar de Aral de sua íris,

no fluxo e refluxo 

de suas lágrimas salgadas

vejo formar-se bancos de areia,

nas olheiras quebrantadas.

 

Vejo-te um mar de Rosa,

um mar de mágoas,

um mar de estrelas, 

brilhando ao longe alheia 

às soluções querê-las.

 

Sinto, em teu clamor de vento

que traz o saibro a contra-mão,

afogar-te em suspirado alento,

a roubar-lhe a respiração.

 

E à Rosa aí dentro,

peço-lhe, antes, perdão,

mas seu teu olhar reflete no meu

e se teu é o ar de meu pulmão,

como posso deixar-te ao relento?

como posso não estender-lhe a mão?

 

Se enxergo o mar frente,

mergulhar não me abstenho,

pois se de Rosa é mar,

eu mesmo não me detenho.

Mergulho em tuas ondas em rebento,

e sem pedires, ao teu encontro venho.

 

Para que de tuas praias

possas então soprar a areia, 

e de teus olhos singelos

livrar-se da tristeza que os margeia.

 

E que do saibro em tua garganta,

gerando-lhe aflição,

que sejam então feito castelos

pois com o vento eles partirão.

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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