Apodyopisis

Estudo tuas curvas

como quem analisa uma paisagem impressionista

fantasiando nas armadilhas do tecido

tua tez ainda vestida.

 

Na malha turva

imagino-te simplista,

de couro curtido,

em pelo despida.

 

Como-te com olhos

musa de coração fascista

que ama a um só partido

ao contrário do que o corpo elucida.

 

Desfilas em minha passarela

sem os apetrechos desta vida,

nua de fato e razão,

nua por minha fantasia

 

Não éis aqui mulher de outro,

éis beleza esculpida,

estátua errante,

decorada de tamancos e bijuterias

 

Tornas-te minha barbarella,

minha heroína desprevenida,

alvo de minha visão

que às tuas roupas renuncia.

 

Por fim passas rápido,

cortando prepotente a avenida,

sumindo doravante

desta minha utopia.

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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