Apnéia

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

 

Sobe pelo tórax e ao peito inflama, a falta de fôlego na respiração torcida. Enquanto a muda boca clama, buscando ar faringe acima. Carregado de ausência o peito reclama, falta-lhe ar, falta-lhe vida. Vácuo de esperança, sufoco ínfimo em agonia.

 

Engasgo feito gato em ânsia, com escarro de velhas feridas, sabor de pus em abundância, por tentar curar-me a lambidas. Galga-me novo refluxo de lembranças, a travar na lâmina ao externo fincada - pretérito afoga-me - na memória consternada. Um passado longo e frouxo, que parece, não ter chego à nada...

 

Apnéia da existência, segurando a respiração, preso em um milésimo de fôlego, passam-se os dias sem razão. Contados ao cronômetro, são eternidade mal vivida. Pelo calendário, pouca coisa acontecida.

 

Sigo os dias rarefeito, atrás de uma tragada de bituca consumida. Sem ar busco fumaça - o fumo pela glote transpassa e preenche o vácuo de nicotina - O pigarro à lâmina se junta, arranha seco em sintonia, saí no hálito feito miasma, e por fim ao sufoco se alia.

 

Mas, quando depois desse cigarro, vier a calmaria, e, eu soprar toda minha alma para fora, talvez vá-se embora essa asfixia.

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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