Ao leitor

Do meu papel

pouco sei fazer,

das muitas vezes me perco

naquilo que quero escrever

 

Queria um texto bonito,

cheio de pompa e graça,

mas ao mesmo tempo inciso,

para suas mentes esparsas

 

Quem sabe permear

um pouco da natureza do ser?

E tentar com sentidos elucidar

os agouros de se viver.

 

Talvez fizesse crônica,

de álcool, putas e lágrimas,

ou divagações platônicas

entre os desabares de minh'alma.

 

Mas de todas essas lamúrias

nada sei o que fazer

pois além de minhas luxúrias

dizem que devo pensar em quem vai ler

 

Tenho mesmo é desejo de dramas.

Mas para os romances há barricadas.

Um toque de lirismo e reclamas,

leitor de falsas trovadas.

 

Preguiçoso. 

É tudo que tenho-lhe hoje a dizer.

Não fazes nenhum esforço

para tentar algo compreender.

 

Da objetividade cria sua virtude

para o máximo sorver.

Porém, vai assim amiúde,

engolindo qualquer parecer.

 

Esqueces de pensar,

meu caro espectador,

e acabas assim por minimizar

o texto em seu langor

 

...Queres saber?!

Some-te de minhas vírgulas!

Não é para ti!

Nem tente agora entender.

O poema já acabou.

Vai! enxota-te daqui! 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

Please reload

  • Facebook G.Pawlick escritor
  • Instagram G.Pawlick ilustrador
  • Behance G. Pawlick Ilustrador

Ilustrador | Santa Catarina - Brasil

0

Ilustrador tradicional e digital Brasil Santa Catarina Florianópolis Paraná Curitiba Rio Grande do Sul