Cem Palavras

Cem palavras guardadas.

- Sangue de tinta em papel sulfite -

Uma mensagem nunca enviada

do amor, talvez, mero palpite.


Cem palavras perdidas,

sem caneta nem grafite,

estranguladas no inefável

da garganta no limite.


Cem palavras não traduzidas,

de sentimentos a míngua.

Porque a boca truísta e o peito friável

não falam a mesma língua.


Poucas palavras dizíveis

de uma mágoa guardada

para tantas outras possíveis

de raiva condensada.


Cem palavras que vou calar

de tua boca com um beijo.

Sem pudor arrasar

esse seu íngreme arquejo.


Silencia essas palavras!

Abre a boca sem discursar.

Cala-te pois pretendo

sem palavras lhe deixar