Cem Palavras

Cem palavras guardadas.

- Sangue de tinta em papel sulfite - 

Uma mensagem nunca enviada

do amor, talvez, mero palpite.

 

Cem palavras perdidas,

sem caneta nem grafite,

estranguladas no inefável

da garganta no limite.

 

Cem palavras não traduzidas, 

de sentimentos a míngua.

Porque a boca truísta e o peito friável

não falam a mesma língua.

 

Poucas palavras dizíveis 

de uma mágoa guardada

para tantas outras possíveis

de raiva condensada.

 

Cem palavras que vou calar

de tua boca com um beijo.

Sem pudor arrasar

esse seu íngreme arquejo.

 

Silencia essas palavras! 

Abre a boca sem discursar.

Cala-te pois pretendo

sem palavras lhe deixar

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Entre. Vamos! Deixe-se seduzir. Siga o caminho mais curto. Acredite, simplesmente acredite, e farei seus problemas sumir. Venha futuro aluno sem luz, venha conhecer minhas soluções, atravesse o véu de minha tenda, que lhe prometo minhas melhores argumentações.

I

Envolto no fino vento soprado

os pensamentos lhe apagavam a vista.

Falava só sem ser escutado,

dialogava mudo com a senhora fantasia.

Ocupava cheio seu metro quadrado

- corpo calvo, feito bagaço - 

Chapéu no colo, crânio destapado, 

donde as idéias lhe fugiam em embaraço. 

À...

Olho para baixo: reflexo de mágoa na lâmina fria, fincada sobre o esterno que segura, através do aço, a asfixia. Excalibur em minha garganta, gosto de ferro na tosse contida. Pulmões em chama, queimam brônquios em atrofia.

A áspera língua que saliva mel, sente agora o gosto de cinza. E a antes pena preta que com tinta riscava o papel, soprada, encontra-se perdida. Da voz, um ganido torto, uma lembrança do assovio antes cantado. Um rouxinol quase morto. Desplumado.

Das trovadas me resta o...

Desejaria boa noite, se isso tivesse algum sentido. Desejaria, a muitos, consolo, se pudesse o ouvido dá-lo como o prometido. Desejaria mais palavras, quem sabe outras línguas, para que o peito surdo se acalmasse, e entendesse que saudade faz parte da vida.

Partiu-se o coração.

Comprou passagem e foi embora.

O corpo, largou em falência,

atravessando o pranto sem demora.

Correu à estação,

pulou pela a boca a fora.

E o peito, em urgência,

gritou: E agora?!

I

Parece-me tão leve

o peso de teu coração.

Parece-me tão bonita

essa tua ingênu...

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